Prevalência de fatores associados a doenças crônicas em universitários

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O ingresso na universidade pode acarretar mudanças nas relações sociais e alterações comportamentais, resultando em hábitos de vida não saudáveis, que constituem fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), principal causa de mortes e morbidades no Brasil. Grande parte das DCNT desenvolve-se a partir de fatores de risco modificáveis, como alimentação não saudável, prática insuficiente de atividade física, consumo de bebida alcoólica e tabagismo.

No Brasil, inquéritos de saúde nacionais têm se constituído como ferramentas indispensáveis para o monitoramento desses fatores de risco principalmente entre população adulta e idosa. No entanto, são escassos estudos que identifiquem fatores de risco em amostra nacional de estudantes universitários. Diante desse contexto, foi realizado um estudo transversal utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada nos anos de 2013 e 2019, com o objetivo de avaliar a prevalência de fatores de risco e proteção para DCNT entre estudantes universitários brasileiros.

Para o estudo, foi realizado um recorte das amostras da PNS incluindo apenas indivíduos adultos (≥ 18 anos de idade) que estavam matriculados em curso de graduação. Os fatores de risco analisados incluíram consumo de alimentos não saudáveis (consumo regular de refrigerantes e o consumo regular de alimentos doces e percepção do consumo excessivo de sal), comportamento sedentário, atividade física insuficiente, consumo de álcool e de tabaco, excesso de peso e obesidade, enquanto fatores de proteção envolveram consumo de alimentos saudáveis (consumo regular de frutas e hortaliças e o consumo regular de feijão) e atividade física no lazer. Todas as variáveis foram analisadas de forma dicotômica (sim/não), com base em pontos de corte previamente estabelecidos na literatura ou nas categorias de resposta disponíveis na PNS. As prevalências e intervalos de confiança foram descritos para cada ano, estratificadas por sexo, ocupação profissional, raça/cor da pele e faixa etária.

Os resultados mostraram que entre os anos avaliados, observou-se, em ambos os sexos, redução no percentual de estudantes que não atingiam as recomendações de atividade física, bem como diminuição do tempo de tela prolongado. Também houve redução no consumo regular de refrigerantes e de alimentos doces, enquanto o consumo regular de frutas e hortaliças aumentou. O consumo de feijão apresentou queda entre as mulheres; em contrapartida, a prática de atividade física no lazer aumentou nesse grupo.

Entre os estudantes com ocupação profissional, verificou-se uma redução expressiva no percentual de indivíduos insuficientemente ativos entre 2013 e 2019, além da diminuição do tempo de tela prolongado. O consumo regular de refrigerantes reduziu tanto entre estudantes com quanto sem ocupação, sendo essa redução mais acentuada entre aqueles sem ocupação. Já o consumo regular de feijão diminuiu entre os estudantes com alguma ocupação, enquanto a prática de atividade física no lazer aumentou nesse grupo.

Os indicadores de tabagismo, consumo abusivo de álcool e consumo excessivo de sal, assim como as prevalências de excesso de peso e obesidade, não apresentaram variações significativas ao longo dos anos, independentemente de sexo ou ocupação. Em relação à raça/cor da pele, observou-se aumento na prática de atividade física no lazer entre estudantes brancos/amarelos, além de redução no consumo de doces nesse grupo. Por outro lado, a diminuição no consumo de feijão ocorreu apenas entre estudantes negros/indígenas, enquanto os demais indicadores apresentaram prevalências semelhantes entre os grupos ao longo do período analisado.

Em síntese, os principais achados deste estudo revelaram uma redução significativa da maioria dos indicadores de risco para a ocorrência de DCNT entre estudantes universitários, sobretudo daqueles relativos à alimentação e à atividade física. Entre os indicadores de proteção, observou-se aumento na frequência de consumo de frutas e hortaliças e atividade física no lazer, contudo, tais indicadores apresentam prevalências aquém do desejável. Além disso, diferenças observadas entre estudantes brancos/amarelos e negros/indígenas evidenciam desigualdades nos padrões de alimentação e atividade física, que podem refletir barreiras estruturais relacionadas ao acesso a ambientes seguros para a prática de atividades físicas e a alimentos saudáveis.

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