
Publicação de novo documento “Gordofobia e Estigma do Peso: Reconstruindo Narrativas e Práticas de Cuidado em Saúde”
27 de março de 2026
Diferença geracional no consumo alimentar de adultos brasileiros
7 de abril de 2026Medidas com intuito de diminuir o consumo de açúcar parecem ter contribuído para adoção de edulcorantes (também conhecidos como adoçantes) como seus substitutos. Contudo, um número crescente de pesquisas observou desfechos negativos em saúde associados ao consumo dessas substâncias, mesmo quando consumidas dentro dos padrões de segurança estabelecidos. Com isto, o monitoramento do consumo dos edulcorantes torna-se estratégico. O objetivo do estudo foi descrever o consumo de edulcorantes por adolescentes e adultos brasileiros, a partir de dados sobre o consumo de alimentos e bebidas no dia anterior (coletados por meio de recordatório 24h) de 46.164 indivíduos entrevistados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017/2018. O consumo dos seguintes edulcorantes: acessulfame K, aspartame, ciclamatos, eritritol, esteviol, isomalte, lactitol, maltitóis, manitol, neotame, sacarina, sorbitol, sucralose, taumatina e xilitol, foi identificado a partir do relato de consumo e da “Tabela de composição dos aditivos alimentares dos alimentos consumidos no Brasil em 2017-2018”. Foram avaliadas as prevalências de consumidores de adoçantes de mesa, de produtos diet/light e de alimentos (incluindo diet e light) que contêm edulcorantes e de qualquer fonte de edulcorantes, de acordo com sexo, faixa etária e renda per capita. Adicionalmente, foram avaliados o consumo de edulcorantes de acordo com seu tipo e as fontes alimentares que mais contribuíram para o consumo, bem como, os padrões de consumo concomitante dessas substâncias. Os achados apontam que, em 2017-2018, 20,6% da população brasileira consumiu edulcorantes. Dentre os consumidores, as maiores prevalências foram entre indivíduos com renda per capita mais alta (30,7%), idosos (27,0%), adolescentes (24,4%) e mulheres (22,7%). As fontes de consumo de edulcorantes mais prevalentes entre os adolescentes foram os produtos com edulcorantes (23,2%) e, entre os idosos, os adoçantes de mesa (19,5%). Acessulfame K (19,8%), sucralose (15,8%), aspartame (6,0%), sacarina (5,5%), ciclamato (5,5%) e sorbitol (0,8%) foram os tipos de substância com maior prevalência entre os consumidores, as demais substâncias apresentaram prevalência igual ou inferior a 0,2%. Em relação ao consumo concomitante, ao menos 15,0% dos indivíduos consumiram acessulfame K e sucralose, enquanto mais de 5,5% consumiram aspartame, sacarina e ciclamato. Adoçantes de mesa (38,2%), sucos artificiais (25,3%), iogurtes ou bebidas lácteas (25,1%), refrigerantes (3,7%), sobremesas/doces (2,9%), outras bebidas (2,9%) e produtos de panificação (2,0%) foram as fontes que mais contribuíram para consumo de edulcorantes. Os resultados quanto ao consumo de edulcorantes entre adolescentes e idosos podem ser atribuídos a diferentes contextos históricos e socioculturais. Enquanto as prevalências entre os idosos podem estar relacionadas ao histórico de recomendações para a redução de açúcar e calorias como parte do manejo de doenças crônicas, entre os mais jovens, podem estar relacionadas à associação de produtos com edulcorantes em sua composição à saúde e à estética, bem como o fato de a comercialização desses produtos ter como foco essa faixa etária. A identificação de edulcorantes, por ter sido obtida a partir de uma tabela de aditivos construída com base na lista de ingredientes de produtos cujas marcas estavam entre as mais vendidas no Brasil, e não diretamente do produto consumido, pode ser considerada uma limitação. No entanto, o estudo se destaca pela metodologia, que permitiu estimar a presença dessas substâncias em alimentos consumidos para uma grande amostra de indivíduos. O estudo aponta que cerca de um quinto da população brasileira consumiu edulcorantes; entre esses, indivíduos com maior renda per capita, idosos, adolescentes e mulheres apresentaram maior prevalência de consumo. Ademais, as principais fontes alimentares desses aditivos são bebidas adoçadas artificialmente e os adoçantes de mesa.




