Nas últimas décadas, o consumo de bebidas açucaradas (como refrigerantes e sucos artificiais) vem aumentando em todo o mundo. O consumo excessivo dessas bebidas tem sido associado ao aumento de peso, desregulação da glicose e desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes tipo 2. Em comparação com os alimentos, as bebidas açucaradas são especialmente prejudiciais à saúde, porque contêm grandes quantidades de calorias, que podem ser rapidamente absorvidas, e possuem menor poder de saciedade, levando a compensação calórica inadequada em outras refeições e contribuindo para uma ingestão excessiva de calorias. Em todo o mundo, as políticas públicas são uma estratégia importante e cada vez mais comum usada para reduzir o consumo dessas bebidas e impedir o aumento contínuo da obesidade e doenças a elas relacionadas. Neste contexto, a Lei chilena de Rotulagem e Publicidade de Alimentos, implementada em 2016, foi o primeiro regulamento nacional a exigir em conjunto rotulagem frontal de advertência nas embalagens, restrição da publicidade direcionada a crianças e proibição das vendas nas escolas de todos os alimentos e bebidas que contenham açúcar, sódio, ou gorduras saturadas que excedam os limites estabelecidos.
Considerando a implementação da Lei, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto desse pacote de políticas nas compras de bebidas açucaradas, utilizando dados longitudinais de compras de bebidas para consumo no domicílio para examinar mudanças no volume, conteúdo calórico e de açúcar, em geral e pelo nível de escolaridade das famílias.
Segundo o estudo, após a implementação da Lei Chilena de Rotulagem e Publicidade de Alimentos, as compras de bebidas açucaradas classificadas como tendo alto conteúdo de nutrientes críticos (açúcar, gordura ou sódio) ou de energia tiveram uma redução de quase 24%. Isso se traduz em aproximadamente 12 calorias e 2,7 gramas de açúcar a menos per capita comprados por dia dessas bebidas.
As reduções encontradas no Chile são maiores do que aquelas observadas após políticas isoladas direcionadas à redução do consumo de bebidas açucaradas na América Latina, como impostos. Entretanto o estudo reforça que pesquisas futuras devem examinar os efeitos diferenciais das políticas de rotulagem, publicidade e regulação em escolas, se as mudanças nas compras foram motivadas pelo comportamento do setor produtivo ou do consumidor e os efeitos dessas políticas na ingestão de bebidas açucaradas.